Um cabo do Exército lotado no 6º Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador, é investigado pela Polícia Civil da Bahia por fornecer munições, granadas e armas para facções criminosas. O militar, identificado como Deivison dos Santos Ferreira, teria negociado cerca de mil munições de fuzil calibres 5,56 e 7,62 para apenas um dos grupos.
A ligação com o militar surgiu durante a análise de celulares apreendidos em abril em um imóvel no bairro de Itapuã. Um dos aparelhos pertencia a um homem apontado como responsável pela compra e revenda de armas e drogas, preso em ação que apreendeu meia tonelada de entorpecentes. Nas conversas, o interlocutor enviou CPF e chave Pix, permitindo a identificação de Ferreira.
O caso integra a Operação Reino Oculto, conduzida pela Polícia Civil com apoio do Ministério Público da Bahia (MP-BA). A ação investiga uma rede de tráfico de drogas e armas, organização criminosa e lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 4 milhões. No total, 33 pessoas foram presas em operações que envolveram 250 policiais na Bahia, Sergipe, São Paulo e Espírito Santo.
Investigadores suspeitam que munições e granadas tenham sido desviadas durante exercícios militares em Paulo Afonso, na Bahia. O material não utilizado em treinamentos deve retornar ao estoque, mas a polícia apura se registros eram alterados para ocultar a diferença entre a quantidade retirada e a devolvida.
Ferreira já estava detido há cerca de um mês por ordem da Justiça Militar em outra investigação sobre o desaparecimento de coletes balísticos, segundo nota do Comando da 6ª Região Militar. A defesa do cabo negou as acusações e afirmou que os fatos serão esclarecidos.
A Polícia Civil analisa se outras pessoas ligadas ao fornecimento de material participaram do esquema. Até o momento, não há confirmação de que as pistolas e fuzis mencionados nas mensagens tenham sido retirados de estoques militares.

