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Calor incomum provoca colapso de geleira e avalanche no Nepal

Carla Fernandes
Última atualização: 8 de setembro de 2026 18:59
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

Temperaturas sem precedentes em uma geleira no Nepal, que atingiram cerca de cinco graus Celsius entre 21 e 26 de agosto, precederam o deslizamento que causou cheias e mortes na China e no Nepal no dia 26. O levantamento foi realizado por Robert Rohde, cientista-chefe da organização Berkeley Earth.

Em mais de 55 anos de registros, os termômetros na região, situada a 5.200 metros de altitude, nunca haviam superado os quatro graus Celsius no mesmo período. A temperatura média no local da avalanche subiu cerca de 1,8ºC desde meados do século XX. Segundo Rohde, sem o impacto das mudanças climáticas, um padrão térmico semelhante provavelmente ocorreria apenas uma vez a cada milhares de anos.

A climatologista francesa Valérie Masson-Delmotte afirmou que as condições de calor podem explicar o degelo do permafrost, camada de solo permanentemente congelado que mantém as paredes rochosas unidas. A degradação desse gelo torna as encostas mais instáveis, facilitando o deslizamento combinado de rochas e geleiras.

Imagens de satélite registraram degelo significativo de neve nos dias anteriores ao desastre. Para o glaciologista Etienne Berthier, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), a água resultante desse processo infiltrou-se nas rachaduras da montanha, o que teria facilitado os deslizamentos de terra.

A geomorfologista Kristen Cook, da Universidade Grenoble Alpes, alertou que a relação entre temperatura e deslizamento não é direta. Ela explicou que o calor pode ter atuado como gatilho em uma rocha que já estava no ponto de inflexão do desmoronamento.

A análise utilizou dados do modelo climático ERA5, do programa Copernicus, e informações de 14 estações meteorológicas de altitude localizadas entre 9 e 140 km da geleira. A região de Langtang viveu o quarto verão mais quente já registrado desde 1970.

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