A operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (10) sobre o financiamento do filme “Dark Horse” provocou preocupação na campanha do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A estratégia do candidato é ressaltar que a ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, investiga o uso de emendas parlamentares e não tem o senador como alvo.
A Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da produtora Go Up. A investigação apura suspeitas de desvio de emendas destinadas a entidades ligadas à produção do longa.
Auxiliares de Flávio Bolsonaro buscam manter o foco do debate político na crise do Supremo Tribunal Federal (STF) para conter o desgaste. A avaliação do entorno é que o embate entre ministros da Corte continua ocupando espaço central na agenda e dificulta a mudança do foco eleitoral.
A campanha tenta separar a operação atual de outra investigação, sob responsabilidade do ministro André Mendonça, derivada do caso Banco Master. Naquela frente, mensagens indicam que o presidenciável pediu R$ 130 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos.
O momento ocorre após a última pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira, apontar empate técnico entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em eventual segundo turno, com 41% das intenções de voto para cada um.
Aliados do senador relacionam a ação da PF à alta do candidato nas pesquisas e alegam tentativa de interferência eleitoral. Não há evidências de que o desempenho nas urnas tenha motivado a operação.
A cautela com o caso “Dark Horse” soma-se aos desdobramentos do caso Master. Nesta semana, Mendonça homologou a delação de Antonio Carlos Freixo Júnior, que confirmou sete transferências, totalizando US$ 12,3 milhões, para o fundo Havengate a pedido de Vorcaro para financiar o filme.

