A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta estabelecer canais de diálogo com o candidato do Avante, Augusto Cury. A estratégia visa repetir o efeito obtido com Simone Tebet em 2022, buscando consolidar a vitória em um eventual segundo turno diante de cenários mais desafiadores que na eleição anterior.
Cury registra entre 6% e 8% das intenções de voto, segundo levantamentos recentes do Datafolha e Quaest. O psiquiatra possui forte penetração entre os eleitores independentes, que representam 32% do eleitorado. Nessa fatia, Cury obteve 17% das intenções de voto em pesquisa do dia 7, enquanto Lula registrou 24% e Flávio Bolsonaro, 9%.
Apesar da movimentação petista, Cury declarou na última quinta-feira, em evento organizado pelo banco Genial em São Paulo, que não apoiaria o presidente “em hipótese alguma”. Na ocasião, afirmou que o modelo do PT deve ser aposentado, embora tenha feito referências positivas ao primeiro governo Lula, citando a gestão de Henrique Meirelles e Antônio Palocci.
O candidato do Avante condicionou um eventual apoio a Flávio Bolsonaro (PL) à prestação de esclarecimentos sobre o envolvimento do filho do ex-presidente com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal investiga o repasse de cerca de R$ 69 milhões, de um total de R$ 134 milhões solicitados para o filme “Dark horse”, destinados a um fundo nos Estados Unidos.
Aliados de Lula argumentam que a resistência atual de Cury é semelhante à de Tebet em 2022, antes de a ex-senadora anunciar apoio ao petista e tornar-se ministra do Planejamento. O grupo lembra que o Avante apoiou a chapa governista no primeiro turno da última eleição, com a atuação do deputado André Janones.
A aproximação também ocorre via Câmara dos Deputados, com parlamentares como Duarte Jr. (Avante-MA) e Neto Carletto (Avante-BA) pedindo votos para o presidente em seus estados. Para formalizar o apoio no segundo turno, petistas não descartam a oferta de cargos ministeriais ao partido.


