A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja resgatar o histórico profissional de Alexandre de Moraes para dissociar a imagem do mandatário da do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia visa rebater a associação feita pela oposição entre o governo e o magistrado.
O plano consiste em destacar que Moraes foi indicado à Corte em 2017 por Michel Temer (MDB). A equipe do presidente pretende lembrar que o ministro ocupou cargos no governo Temer e nas gestões de Geraldo Alckmin em São Paulo, além de ter mantido posições contrárias ao petista antes e depois de assumir o cargo no tribunal.
Entre os pontos de atrito citados estão a atuação de Moraes na Secretaria de Segurança de São Paulo, durante conflitos entre a Polícia Militar e manifestantes em 2015 e 2016, episódios criticados por militantes do PT. Em 2018, o ministro votou contra um habeas corpus da defesa de Lula que questionava a execução provisória da pena no caso do tríplex do Guarujá.
A medida também busca isolar Lula da crise envolvendo o ministro no caso Banco Master. O argumento é que o episódio deve ser tratado como uma questão interna do Supremo, sem integração à campanha eleitoral. O banco teria começado a operar no governo Jair Bolsonaro (PL) e sido liquidado na gestão atual.
Em entrevista nesta terça-feira (15), Lula afirmou que ninguém deve escapar de julgamento em casos de suspeita ou acusação. O presidente declarou que é necessário investigar todos sem distinção para que o Judiciário recupere a confiança da sociedade.
A apuração indica que há avaliações divergentes no entorno do presidente sobre os impactos da crise no STF. Enquanto alguns veem o cenário como prejudicial ao país, outros acreditam que o episódio não atinge Lula eleitoralmente e que a disputa deve envolver o empresário Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro (PL).

