A campanha de Marina Silva (Rede) questionou a falta de apoio financeiro do próprio partido na disputa ao Senado, a dez dias das eleições. A ex-ministra do Meio Ambiente recebeu R$ 1 milhão da legenda, valor inferior ao destinado a candidatos a deputado estadual e a outros postulantes ao Senado.
O coordenador-geral da campanha, Bazileu Margarido, formalizou a reclamação em requerimento enviado à Comissão Executiva Nacional da Rede. No documento, Margarido solicita que o partido destine mais R$ 1,2 milhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) à candidata, argumentando que ela aparece consistentemente entre os primeiros colocados na disputa em São Paulo.
Dados do DivulgaCand mostram que André Janones (MG), candidato a deputado federal, recebeu R$ 3 milhões — o triplo do valor de Marina. Heloísa Helena (RJ), também candidata a deputada federal, recebeu R$ 2,8 milhões, enquanto Luizianne Lins (CE), candidata ao Senado, obteve R$ 2,2 milhões. Thiago Ávila (SP), candidato a deputado federal, recebeu R$ 1,5 milhão.
O montante recebido pela ex-ministra é menor do que o de seus principais adversários. Simone Tebet (PSB) e Guilherme Derrite (PP) receberam R$ 6,5 milhões e R$ 5,85 milhões de seus respectivos partidos. Segundo aliados de Marina, o pedido de ampliação da verba foi ignorado pela direção da Rede.
O presidente da Rede, Paulo Lamac, afirmou que a estratégia de financiamento considerou a competitividade e a capacidade de cada candidatura de captar recursos privados. Lamac disse que a arrecadação de Marina permitiu que o volume global de recursos da campanha superasse R$ 3 milhões, o maior financiamento entre as candidaturas da legenda.
Lamac declarou que o Diretório Nacional priorizou candidaturas à Câmara dos Deputados para ampliar a bancada e consolidar a instituição. Ele informou que a direção não impediu candidaturas ao Senado, mas manteve a concentração de recursos do FEFC nos cargos proporcionais.
Aliados da ex-ministra avaliam que o episódio reflete a disputa interna entre Marina e o grupo de Heloísa Helena. A candidata chegou a cogitar a saída do partido neste ano, mas desistiu da decisão.

