O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, defendeu nesta quinta-feira (17), em discurso ao Parlamento Europeu em Estrasburgo, a aproximação do país com a União Europeia (UE). Carney apoia a proposta de tornar o Canadá um “membro associado” do bloco, medida que visa reduzir a dependência econômica e militar dos Estados Unidos.
A movimentação ocorre enquanto o Canadá enfrenta uma guerra comercial com os Estados Unidos, com tarifas retaliatórias que entraram em vigor na semana passada. O presidente Donald Trump classificou a proposta de associação como “ridícula” e ameaçou impor tarifas severas ou interromper o comércio com a Europa caso a iniciativa seja concretizada, definindo-a como um possível “ato hostil”.
Durante o pronunciamento, Carney condenou o uso de mecanismos financeiros e cadeias de suprimentos como ferramentas de coerção. Ele afirmou que a prosperidade cresce quando é compartilhada e que o objetivo do Canadá não é criar um bloco rival, mas buscar resiliência para que nenhum país controle seus mercados abertos ou ameace sua soberania.
A parceria proposta, apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prevê cooperação em minerais críticos, inteligência artificial, segurança energética e defesa industrial. Carney também sugeriu a criação de um sistema de livre circulação que permitiria a jovens trabalhar e estudar em ambos os lados do Atlântico.
No campo militar, o governo canadense anunciou formalmente o pedido para ingressar na Joint Expeditionary Force, coalizão liderada pelo Reino Unido composta por 10 membros da OTAN. Em visita a Liverpool, Carney reuniu-se com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, para discutir cooperação em defesa e tecnologia.
A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Canadá, com trocas bilaterais de aproximadamente C$ 178,6 bilhões em 2025. Uma cúpula entre o bloco e o governo canadense está prevista para o final de outubro, em Montreal, para detalhar a nova forma de parceria.

