A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta terça-feira (15) que a Corte tem provocado um “mal-estar cívico” entre os brasileiros. As declarações ocorreram durante sessão plenária para definir se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por trocas de mensagens com o dono do Banco Master.
Cármen Lúcia disse estar em estado de profunda consternação e tristeza devido aos escândalos que envolvem a Suprema Corte. A magistrada afirmou sentir-se envergonhada pelo fato de o país, a menos de 20 dias da eleição, estar voltado a questões processuais e graves do STF, alegando que não houve o rigor e a serenidade necessários.
Segundo a ministra, o Poder Judiciário deveria existir para tranquilizar o povo, mas o STF tem gerado intranquilidade. Ela afirmou ainda que os integrantes da Corte inebriam o sentimento de justiça.
A sessão analisava se a investigação sobre Moraes, que trocou mais de 50 mensagens com o empresário Daniel Vorcaro, deveria ser julgada conjuntamente com o caso de André Mendonça. Mendonça é o relator dos processos do Banco Master no STF e é alvo de suspeitas de irregularidades na condução do caso.
Sobre Alexandre de Moraes, a apuração foca na edição de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre a instituição financeira e o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro.
O resultado da votação foi de quatro a três para manter os casos de Moraes e Mendonça separados. Votaram por essa opção os ministros Edson Fachin, presidente do STF, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram pela junção dos processos.
Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos e não participaram da discussão. Flávio Dino pediu vista para analisar a situação.

