A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos da Câmara Municipal de Goiânia pode pedir o indiciamento do presidente da Equatorial Goiás, Lener Silva Jayme, no relatório final, que será apresentado nesta terça-feira (30), às 14h. A investigação apura as responsabilidades pela morte da adolescente Náthaly Rodrigues, de 17 anos, vítima de descarga elétrica em setembro de 2025.
O presidente da CEI, vereador Coronel Urzêda (PL), afirmou que a investigação não deve terminar apenas com a identificação dos responsáveis. Segundo ele, uma minuta foi enviada ao prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), para a elaboração do Código Municipal de Gestão da Infraestrutura Aérea Urbana, em homenagem à adolescente.
“A Náthaly não pode ser lembrada apenas como uma vítima. O nosso objetivo é transformar essa tragédia em um marco para que Goiânia tenha regras mais rígidas e uma infraestrutura aérea mais segura”, disse o vereador. A proposta deve estabelecer regras para instalação, manutenção, identificação, regularização e retirada de cabos dos postes.
Náthaly morreu em 23 de setembro de 2025 após receber uma descarga elétrica provocada por um fio da rede de energia que se rompeu durante um temporal na Rua 20, no Centro de Goiânia. Três funcionários da Equatorial foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio culposo e lesão corporal culposa.
O delegado Fernando Martins explicou que os indiciados são um supervisor, um gerente e um operador do Centro de Operações da concessionária. Segundo ele, o religador automático foi desabilitado manualmente devido às oscilações causadas pela chuva, e o operador restabeleceu a energia sem saber que os cabos estavam rompidos.
“Eles tiveram cerca de 30 minutos entre o rompimento e a descarga elétrica para deslocar uma equipe. Em vez disso, religaram a energia manualmente, com os cabos rompidos submersos em água. Do ponto de vista penal, houve omissão, imprudência e negligência”, afirmou o delegado. A perícia apontou que a descarga foi de aproximadamente 1.156 volts.
O presidente da Equatorial Goiás chegou a obter habeas corpus que o desobrigou de comparecer à comissão. O Jornal Opção pediu posicionamento da concessionária e aguarda retorno. Após a aprovação do relatório, os encaminhamentos serão enviados aos órgãos competentes.

