O assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Celso Amorim, entregou nesta quarta-feira (16) em Pequim uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao líder chinês, Xi Jinping. O documento propõe cooperação estratégica em setores de inteligência artificial, minerais críticos e terras raras, segundo informações do Itamaraty.
A iniciativa ocorre enquanto a China controla mais de 90% do processamento global de terras raras. Embora o Brasil não possua acordos oficiais para desenvolver essa cadeia produtiva com o país asiático, o governo vê Pequim como um parceiro potencial para o desenvolvimento do setor.
A movimentação diplomática acontece a 17 dias do primeiro turno das eleições. As pesquisas indicam um eventual embate no segundo turno entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que defende os Estados Unidos como parceiro preferencial para a exploração de minerais.
O encontro ocorre em paralelo ao desgaste na relação entre o Planalto e a Casa Branca, motivado por tarifas impostas pelos norte-americanos ao Brasil. Lula afirmou na semana passada que cobrará do presidente Donald Trump respeito às eleições brasileiras durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, entre 22 e 28 de setembro.
Antes de chegar à China, Amorim visitou Paris e Nova Délhi entre 11 e 15 de setembro. França e Índia também são consideradas pelo Planalto como potenciais parceiras para a cadeia de minerais críticos. Em agosto, o presidente citou os dois países como competidores pelas parcerias brasileiras na área.


