O Centro do Rio de Janeiro registra a abertura de novos bares, restaurantes e a construção de prédios residenciais para reverter o esvaziamento ocorrido durante a pandemia de Covid-19. O movimento combina a volta de trabalhadores, a chegada de novos moradores e a expansão da boemia na região.
Na Rua Sete de Setembro, o antigo Shopping Vertical passa por retrofit para se tornar um prédio com 172 estúdios de 28 a 40 metros quadrados. Segundo João Paulo Matos, CEO da construtora Calçada, todas as unidades foram vendidas na planta com preços a partir de R$ 360 mil. As obras têm prazo de 18 meses.
O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) estima que 3,7 mil unidades residenciais, de um total de 8,9 mil licenciadas desde 2021, já estão prontas ou em obras. O presidente da entidade, Claudio Hermolin, informou que 60% desses imóveis foram adquiridos por investidores. Outro projeto licenciado é o Connect Square, na Rua São José, com 584 unidades, com início de obra previsto para janeiro.
O setor gastronômico também avança. O empresário Raphael Vidal abrirá quatro restaurantes no Beco das Sardinhas, incluindo o Bife Gracioso e o Pensão, que iniciam as atividades este mês. Na Rua do Senado, o chef Laurent Rinaudo e a sócia Larissa Lopes preparam a inauguração do Madame Lee e do Feline para outubro, em um casarão restaurado.
A Lapa também atrai investimentos, como a previsão da holding Glória Participações de abrir um hostel com 120 camas na Rua Mem de Sá em 2027. Gustavo Marins, vice-presidente do Polo Rio Antigo, disse que a criação de um boulevard no entorno da Escadaria Selarón deve valorizar a área, atraindo hospedagens por aplicativos.
Apesar do crescimento, a vacância de salas comerciais permanece alta. A Associação Brasileira de Administradores de Imóveis (Abadi) aponta que 33% das 22,6 mil salas do bairro estão vazias. O presidente da associação, Marcelo Borges, afirmou que a ocupação total deve ocorrer em cinco a sete anos, à medida que novos moradores se instalem.
O custo de manutenção é apontado como um entrave. Claudio Castro, da Sérgio Castro Imóveis, explicou que a falta de isenção de IPTU em imóveis não tombados e as altas taxas de condomínio dificultam a ocupação de sobrados e pequenos prédios na região.

