O bloco de centro-esquerda, liderado por Magdalena Andersson, venceu as eleições legislativas na Suécia com uma margem mínima de três assentos em relação à coalizão conservadora. O primeiro-ministro Ulf Kristersson reconheceu a derrota e anunciou sua demissão nesta quinta-feira (17), iniciando o processo de negociações para a formação de um novo governo.
A aliança entre a direita e a extrema direita perdeu a eleição por aproximadamente 50 mil votos. No Parlamento, o grupo de esquerda conquistou 176 cadeiras, enquanto o bloco do primeiro-ministro em fim de mandato obteve 173. A apuração foi concluída apenas nesta quinta-feira devido à necessidade de contabilizar 300 mil votos provenientes do exterior e de votações antecipadas.
Magdalena Andersson, de 59 anos, busca retornar ao comando do governo desde 2022. A social-democrata declarou a apoiadores que a Suécia terá um novo governo caso os resultados se confirmem. No entanto, a formação da coalizão enfrenta divergências internas entre o Partido de Esquerda e o Partido do Centro.
Os centristas rejeitam a presença de ministros de esquerda no Executivo, enquanto os esquerdistas exigem cargos no governo. Andersson demonstrou resistência em incluir o Partido de Esquerda na gestão, após revelações de declarações antissemitas de parlamentares da legenda.
O recuo dos Democratas da Suécia (SD), partido de extrema direita, foi um dos marcos do pleito. A sigla perdeu terreno desde 2010, caindo de 20,5% dos votos em 2022 para 17,5% nesta eleição, o que devolveu ao partido conservador Moderados o posto de segunda maior força política do país.
Ulf Kristersson, de 62 anos, ainda poderia tentar formar um governo caso a aliança de esquerda fracasse, mas a perspectiva é improvável. O Partido do Centro não aceita integrar um governo onde a extrema direita ocupe pastas ministeriais, contrariando a promessa feita por Kristersson ao SD.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, saudou a vitória da centro-esquerda em mensagem publicada no X. Segundo Sánchez, os suecos apostam novamente no Estado de bem-estar social, na justiça social e na transição ecológica após quatro anos de governo de direita.


