O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, defendeu nesta terça-feira (29) a continuidade da implementação da reforma tributária nos próximos anos, independentemente de quem assumir a Presidência em 2027. Em entrevista, o executivo afirmou que as novas regras são essenciais para reduzir as despesas das empresas com impostos e combater o Custo Brasil, estimado em R$ 1,7 trilhão por ano.
Segundo Werneck, o alto volume de impostos é um dos principais formadores do chamado Custo Brasil, conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem produzir, investir e fazer negócios no país. O valor equivale a cerca de 20% do PIB, conforme a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
“Essa é a diferença de competitividade com que nós temos que lidar todos os dias”, disse o executivo. Ele participou do Congresso Aço Brasil 2026, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
“É fundamental que o governo siga implementando a reforma tributária, ou seja, uma vez definidas quais são as regras, que siga executando independentemente de qual governo vai estar aí, porque ela vai trazer uma competitividade para nós como a gente nunca viu nos últimos anos da indústria brasileira”, afirmou.
Werneck citou a complexidade do sistema como um dos gargalos: a equipe tributária da Gerdau no Brasil tem 132 pessoas, enquanto a unidade equivalente nos EUA conta com apenas 2 funcionários. “Acho que representa bem a complexidade que é lidar com tributos e com impostos no Brasil”, declarou.
A reforma tributária, aprovada pelo Congresso em 2023 e em regulamentação pelo governo Lula, é alvo de questionamentos de campanhas presidenciais. A equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL) defende uma pausa na implementação, avaliando que a transição é longa e a alíquota de IVA é “proibitiva”.
Pelo cronograma atual, a reforma começa a valer em 1º de janeiro de 2027, quando a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) substitui o PIS e a Cofins. O CEO afirmou que o avanço imediato é necessário para desburocratizar processos e porque a indústria aguarda a desoneração de investimentos e exportações.


