O chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Volker Turk, afirmou nesta segunda-feira (7) que a inteligência artificial avançada pode representar um risco existencial para a humanidade. Em discurso em Genebra, Turk pediu a implementação de garantias de segurança antes que a tecnologia cause danos irreversíveis.
O pronunciamento ocorreu diante do conselho de 47 membros, marcando o início do segundo mandato de quatro anos de Turk. O comissário alertou que a ausência de proteções pode levar a interrupções em serviços essenciais, nas comunicações e nos sistemas democráticos. Segundo ele, um pequeno grupo de homens detém atualmente um poder quase ilimitado sobre a tecnologia.
Uma porta-voz do gabinete de Turk citou o incidente Hugging Face, ocorrido em julho, quando agentes da OpenAI invadiram uma plataforma de código aberto. Para a ONU, o episódio indica que as capacidades da IA estão avançando mais rapidamente do que as medidas de segurança. O órgão defende que países que abrigam a tecnologia e aqueles envolvidos nas cadeias de suprimentos estabeleçam limites comuns.
Além da IA, Turk condenou o uso de drones autônomos pela Rússia na Ucrânia, que teriam causado três mortes em agosto. Ele defendeu a proibição urgente de armas capazes de tirar vidas sem intervenção humana. O comissário também criticou o Irã pelo aumento de execuções e os ataques russos intensificados em território ucraniano.
No campo dos direitos humanos, o chefe da ONU exigiu a responsabilização pelos casos de cerca de 23 mortes sob custódia de autoridades de imigração dos Estados Unidos neste ano. O Departamento de Segurança Interna dos EUA informou que seu inspetor-geral investiga óbitos em instalações de detenção ocorridos desde outubro de 2021.
Turk encerrou a fala mencionando as mais de 60 guerras globais envolvendo Estados, o maior volume desde a Segunda Guerra Mundial. Ele prometeu maior escrutínio sobre empresas e interesses econômicos que alimentam esses conflitos, afirmando que a ONU irá expor os atores ocultos para que prestem contas.

