O Ministério da Agricultura confirmou neste domingo (27) a abertura do mercado chinês para miúdos suínos do Brasil. O protocolo sanitário bilateral foi assinado no sábado (26), em reunião entre o ministro André de Paula e o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. A expectativa é de receita superior a US$ 100 milhões por ano.
Até então, o Brasil era autorizado a exportar apenas alguns tipos de miúdos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína para a China. A ampliação do acesso deve-se ao reconhecimento do país como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Entre os produtos que agora poderão ser exportados estão músculo suíno congelado, desossado ou com osso, incluindo gordura; miúdos e coprodutos comestíveis congelados; línguas, máscara, focinho, orelhas, cauda e pés suínos; pele, cartilagem, estômagos, fígado, coração, rins, diafragma e ossos suínos.
“Essa abertura significa um capítulo importante na suinocultura brasileira, acesso ao mercado de mais de US$ 2,5 bilhões por ano, valorização da nossa produção e mais renda e emprego no campo e na indústria”, afirmou De Paula na nota.
O ministério informou que mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros poderão ser comercializadas ao mercado chinês, com receita superior a US$ 100 milhões por ano, de acordo com estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
A abertura foi formalizada após o encerramento da auditoria chinesa a frigoríficos brasileiros, iniciada em 20 de setembro. Inspetores chineses visitaram estabelecimentos de produção, fazendas, abatedouros e laboratórios oficiais em seis estados, voltados para carnes bovina, suína e de aves.
O embaixador chinês afirmou que, desde 2008, a China é, há 18 anos consecutivos, o maior mercado de exportação dos produtos agrícolas e pecuários brasileiros. A China é um dos maiores mercados consumidores e importadores de produtos de origem suína do mundo, com importações de miúdos que somam aproximadamente US$ 2,5 bilhões por ano.
As tratativas bilaterais se intensificaram há cerca de um ano, após missão presidencial ao país asiático. O interesse brasileiro se deve ao potencial do mercado chinês, considerado remunerador e grande consumidor de subprodutos suínos, além de se tratar de itens com baixo valor agregado no mercado doméstico.

