O candidato do PSDB ao governo do Ceará, Ciro Gomes, apresentou uma proposta para utilizar jovens vinculados a organizações criminosas no repasse de informações às forças de segurança do estado. O plano prevê a remuneração desses jovens e o posterior encaminhamento a programas de proteção governamentais.
A medida mantém os jovens ligados às estruturas criminosas enquanto atuam como fontes para as autoridades, em vez de retirá-los das facções. A iniciativa foi criticada por Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB e da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP.
Segundo o advogado, a política inverte a lógica de proteção ao manter adolescentes no crime como agentes infiltrados. Alves afirmou que a proposta é surreal e temerária, pois não há garantia de que os jovens estariam protegidos ao repassar dados para policiais que podem ter vínculos com as próprias facções.
O especialista, que já presidiu o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), classificou a ideia como populista, demagógica e oportunista de véspera de eleição. Ele argumentou que o Estado deveria focar na inclusão social por meio de profissionalização, aprendizagem e bolsas de estudo.
Outro ponto de alerta citado por Alves é o risco de a estratégia estimular a criação de milícias, comparando a situação ao ocorrido no Rio de Janeiro, onde grupos organizados pelo Estado perderam o controle e passaram a subjugar populações periféricas.
Sobre a previsão de encaminhamento a programas de proteção, o advogado explicou que tais políticas não oferecem solução permanente. De acordo com a análise, os programas possuem recursos limitados e critérios específicos, o que significaria expor deliberadamente o jovem ao perigo para só depois tentar retirá-lo da situação de ameaça.

