A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) ofereceu um imóvel em Teresina e R$ 3 milhões como garantia para tentar recuperar bens bloqueados na Operação Compliance Zero. O pedido, enviado em junho ao ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), visa a liberação de um jatinho, uma BMW e ativos financeiros.
Os advogados avaliaram a propriedade em aproximadamente R$ 19 milhões. No entanto, documentos de compra e venda indicam que a CNFL, empresa ligada ao parlamentar, pagou R$ 3,3 milhões pelo terreno de 6,9 mil metros quadrados em 2023. A avaliação atual equivale a quase seis vezes o valor pago há três anos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) contestou a proposta. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que existe uma disparidade expressiva entre as escrituras e as avaliações dos requerentes. Gonet declarou que o imóvel teria difícil conversão em dinheiro e que a manutenção das restrições impede a continuidade de possíveis práticas criminosas.
A defesa do senador e da CNFL alegam que o patrimônio atingido ultrapassa o limite de R$ 18,5 milhões determinado por Mendonça para cada investigado. Relatório da Polícia Federal de agosto indica que os bloqueios financeiros contra o senador superaram R$ 10 milhões, abrangendo contas, investimentos e ações. A empresa teve cerca de R$ 300 mil e um consórcio bloqueados.
A Operação Compliance Zero investiga se Ciro Nogueira recebia R$ 500 mil mensais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal apura se o parlamentar atuou no Congresso para favorecer interesses de Vorcaro, incluindo a proposta da emenda Master, que não foi aprovada. O senador afirmou que a investigação tenta atingir sua honra e não se manifestou sobre a oferta do imóvel.


