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Classe A tem maior propensão a comprar produtos ilegais

Carla Fernandes
Última atualização: 4 de setembro de 2026 04:38
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

A população de maior renda no Brasil apresenta maior propensão a adquirir produtos ilegais do que as classes sociais mais baixas, segundo o 1º Levantamento Nacional sobre a Demanda de Bens e Serviços Ilícitos no Brasil. O estudo, realizado pela Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São Paulo (ESEM-USP) com a Ipsos, ouviu três mil pessoas no ano passado.

A pesquisa analisou cinco mercados: combustíveis, bebidas alcoólicas, eletrônicos, vestuário e tabaco. Nos eletrônicos, a disposição para a compra ilegal é de 27% entre a classe A, contra 20% na classe C e 14% nas classes D e E. No vestuário, a propensão geral de aquisição chega a 25%, enquanto em combustíveis e eletrônicos o índice é de 20%.

Leandro Piquet, professor do Instituto de Relações Internacionais e coordenador da ESEM-USP, afirmou que o segmento com maior escolaridade e conhecimento das regras não apresenta diferença de comportamento na direção de mercadorias ilegais. Para o professor, quem mais consome é também quem mais adquire produtos ilícitos.

A escolha por réplicas de luxo, que podem custar até R$ 8.400, como no caso de bolsas, estaria ligada ao desejo de reconhecimento social e símbolos de status. Suzane Strehlau, professora da ESPM, explicou que o consumidor avalia o risco: enquanto um sapato falsificado oferece risco funcional de machucar o pé, a bolsa traz apenas o risco social de ser identificada como falsa.

O levantamento também associou a propensão a essas compras à tolerância geral à transgressão das leis. O estudo indicou que 27% dos homens possuem perfil transgressor, enquanto entre as mulheres o índice é de 22%. No grupo dos legalistas, as mulheres representam 24% e os homens 20%.

Sobre a prática efetiva, 21% das transações de eletrônicos e vestuário ocorreram em canais de risco, como redes sociais, ambulantes ou sites desconhecidos. No setor de combustíveis, 13% dos entrevistados declararam abastecer sempre em postos sem bandeira, e outros 15% recorrem à prática ocasionalmente. Marcas de cigarros ilegais representam 11% do mercado.

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