A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) solicitou, nesta quinta-feira (10), que as decisões sobre o impasse entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) sejam tomadas pelo plenário da Corte, criticando o uso de decisões individuais de ministros para tratar a crise.
No documento intitulado “Pela verdade, pela justiça e pela preservação das instituições democráticas”, a presidência da entidade manifestou preocupação com os fatos recentes. A CNBB afirmou que a gravidade do momento exige responsabilidade e respostas institucionais claras, defendendo que a preservação da democracia não deve impedir a investigação de possíveis irregularidades.
Para a conferência, o fortalecimento das instituições depende de apurações feitas com transparência, imparcialidade e respeito ao devido processo legal. O texto sustenta que ninguém está acima da lei nem pode ser condenado previamente, sem direito de defesa e sem as garantias previstas na Constituição.
A entidade defendeu a ampliação de mecanismos de prestação de contas e prevenção de conflitos de interesse no Poder Judiciário. A CNBB pediu o encaminhamento institucional do Código de Ética em elaboração no STF para estabelecer parâmetros claros de conduta e proteger a autoridade da Corte.
A mensagem também alertou que as divergências institucionais não podem alimentar desconfiança generalizada nem ser exploradas por interesses político-partidários, especialmente diante do processo eleitoral. A entidade defendeu a realização de eleições livres e o respeito à vontade dos eleitores.
O documento é assinado pelo presidente da CNBB, dom Jaime Cardeal Spengler; pelos vice-presidentes dom João Justino de Medeiros Silva e dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa; e pelo secretário-geral, dom Ricardo Hoepers. A presidência pediu que os Poderes da República e a sociedade contribuam para o esclarecimento dos fatos.


