O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central avaliou, na ata de sua 66ª reunião, que as condições financeiras globais tornaram-se marginalmente mais restritivas desde o encontro anterior. O órgão informou que vulnerabilidades persistem nas principais economias, embora a liquidez global elevada mantenha o apetite ao risco em mercados emergentes.
Nos Estados Unidos, o Comitê detalhou que a inadimplência segue alta em variadas modalidades de crédito. O crédito privado continua em crescimento, impulsionado por investimentos no setor de tecnologia, o que amplia os riscos associados a essa expansão.
Na China, o Banco Central observou a desaceleração do crédito bancário e a queda na rentabilidade dos bancos. O movimento acompanha a menor demanda por crédito e a moderação da atividade econômica doméstica, apesar de indicadores de adequação de capital sugerirem resiliência.
O sistema financeiro internacional demonstrou resiliência diante de choques globais, mas a aceleração de investimentos em inteligência artificial e digitalização, somada ao conflito no Oriente Médio, levou a revisões nas trajetórias fiscal, monetária e de inflação.
A elevação das taxas de juros de longo prazo e flutuações nas moedas de economias avançadas aumentam a chance de eventos adversos. O Comef declarou que persistem incertezas sobre a interação entre choques de oferta e vulnerabilidades financeiras preexistentes, concluindo que o cenário requer atenção.
Sobre a gestão de capital, o órgão informou que a maioria das jurisdições manteve inalterados seus buffers contracíclicos, enquanto quatro as elevaram. Entre as 58 jurisdições avaliadas, 45 mantêm o instrumento ativado e 28 adotam o buffer neutro positivo, que prevê capital adicional mesmo sem acúmulo significativo de riscos.

