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Comitê de vítimas de Mariana troca escritório em ação na Inglaterra

Carla Fernandes
Última atualização: 11 de setembro de 2026 20:36
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O comitê de clientes do caso Mariana decidiu substituir o escritório Pogust Goodhead, banca britânica que iniciou a ação na Justiça da Inglaterra, pelo Bailey Glasser International, dos Estados Unidos. A decisão, tomada nesta sexta-feira (11), resultou em duas ações judiciais para definir a legitimidade da troca na representação de milhares de brasileiros.

O processo busca responsabilizar a mineradora BHP pelo rompimento da barragem do Fundão em 2015, que matou 19 pessoas e deixou mais de 2 mil desabrigadas. A ação pede indenização de 36 bilhões de libras. O juiz Adam Constable determinou a reunião das ações e marcou para outubro a audiência que discutirá os poderes do comitê.

A relação entre o colegiado e a banca britânica deteriorou-se após a saída do advogado Thomas Goodhead e de outros 20 profissionais da equipe original. O comitê afirmou que não recebeu respostas satisfatórias sobre a nova composição do escritório. Além disso, houve conflitos após o Pogust anunciar a captação de US$ 150 milhões do fundo Gramercy e a contratação do escritório Quinn Emanuel.

Interlocutores do grupo suspeitam que o fundo de investimentos tenha imposto a contratação do Quinn Emanuel para forçar um acordo que beneficiaria mais o investidor do que as vítimas. Documentos do comitê alegam que pessoas ligadas ao Gramercy ameaçaram advogados para que aceitassem propostas de conciliação.

O Pogust Goodhead negou violações contratuais, embora tenha admitido a necessidade de tratar algumas preocupações. A CEO da banca, Alicia Alinia, declarou que a decisão do juiz de reunir as ações é uma vitória para os clientes. O Bailey Glasser International informou que a deliberação é processual e não resolve a questão em favor de nenhuma parte.

Paralelamente, o Ministério Público Federal (MPF) acusa o Pogust de impor cláusulas abusivas em contratos com brasileiros, restringindo o direito de buscar reparação no Brasil. O escritório nega irregularidades. O prefeito de Mariana, Juliano Duarte, relatou em agosto dificuldades de comunicação e divergências de narrativas com a banca britânica após a saída de Thomas Goodhead.

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