O Comitê Olímpico Internacional (COI) está incentivando modalidades esportivas de alto rendimento a desenvolver protocolos robustos de rastreamento de saúde mental. A iniciativa busca a intervenção precoce em atletas de elite, que enfrentam vulnerabilidades como esgotamento físico e emocional, pressões por desempenho e abusos em redes sociais.
O processo consiste na aplicação de questionários breves e estruturados para identificar sinais de dificuldades psicológicas que demandem avaliação aprofundada. Segundo o consenso de especialistas do COI, o objetivo principal é detectar fatores de risco para transtornos mentais, permitindo que o suporte ou tratamento seja oferecido em tempo hábil.
A recomendação é que o rastreamento ocorra em momentos específicos: no início da temporada competitiva, após grandes eventos como Jogos Olímpicos, após lesões significativas — incluindo concussões — e durante a transição para a aposentadoria ou desligamento de equipes.
A triagem visa diferenciar o sofrimento emocional inerente ao esporte, como o estresse pré-competição, de sintomas de transtornos específicos, a exemplo de depressão, ansiedade, abuso de substâncias ou transtornos alimentares. O documento do COI estabelece que os exames não devem ser usados para excluir atletas de competições ou equipes.
Para evitar estigmas ou constrangimentos, a orientação é que o processo seja conduzido por profissionais especializados, garantindo a confidencialidade das informações. O intuito é normalizar a saúde mental como uma preocupação legítima, integrando-a aos exames regulares de saúde física.
No esporte comunitário, onde a estrutura financeira é menor, a recomendação é seguir diretrizes de boas práticas, como as australianas. Estas focam na alfabetização em saúde mental para reconhecer sinais de sofrimento, formação de treinadores para práticas acolhedoras e criação de planos de resposta a incidentes críticos, como risco de suicídio ou automutilação.

