A morte de uma triatleta de 46 anos, ocorrida no último sábado em Brasília após treino, acendeu o alerta sobre a ocorrência de mal súbito em pessoas fisicamente ativas. Segundo a cardiologista Stephanie Rizk, o condicionamento físico protege a saúde, mas não elimina riscos de doenças cardíacas ou vasculares desconhecidas.
O mal súbito acontece quando um paciente assintomático sofre um evento agudo que pode levar à parada cardíaca. Rizk explica que o esforço intenso, comum em treinos de triatlo, aumenta a carga adrenérgica e a demanda de oxigênio do coração, o que pode desencadear crises em cardiopatias estruturais não diagnosticadas. A médica afirma que, após os 35 anos, a doença coronariana torna-se a principal causa de mortalidade.
O preparador físico Marcio Atalla alerta que o uso contínuo de energéticos, suplementos ou substâncias para melhora de performance pode causar arritmias e potencializar problemas pré-existentes. Ele estima que apenas 5% das pessoas que praticam mais de 450 minutos de atividade física semanal realizam o acompanhamento médico necessário.
Apesar do risco, Atalla ressalta que a atividade física é preferível ao sedentarismo, que causa mais de 400 mil mortes por ano no Brasil. Em comparação, mortes de atletas ocorrem cerca de sete ou oito vezes anualmente no país.
O rastreamento de colesterol é recomendado entre os 9 e 11 anos, com nova avaliação entre os 17 e 21 anos. Na vida adulta, a avaliação do risco cardiovascular deve ser contínua, tornando-se prioritária entre os 40 e 45 anos, especialmente para quem possui hipertensão, diabetes, obesidade ou histórico familiar de doenças cardíacas precoces.
A escolha dos exames, como eletrocardiograma ou angiotomografia, deve ser individualizada. Rizk afirma que o checkup não deve se limitar à busca por sintomas, mas discutir a indicação de procurar doenças subclínicas, como a aterosclerose, que se desenvolve silenciosamente anos antes de um infarto.

