Apenas 30% dos pais e responsáveis dizem confiar muito nas escolas do país, ante 55% em 2021. Os dados são da pesquisa “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes”, do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest, divulgada nesta quarta-feira (30).
O levantamento foi realizado entre 29 de maio e 7 de junho de 2026, com 2.202 brasileiros de 18 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Entre as instituições que atuam na proteção de crianças e adolescentes, psicólogos e serviços de aconselhamento concentram o maior percentual de confiança, com 60%. Na sequência aparecem a polícia (49%), o Conselho Tutelar e o Disque 100 (ambos com 46%). Na outra ponta, apenas 19% confiam muito em abrigos e ONGs.
O estudo mostra que 73% dos brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras, enquanto 26% as avaliam como seguras. A percepção de insegurança varia de 66% no Sul a 76% no Sudeste. Entre os que veem o ambiente escolar como inseguro, 70% apontam a violência entre os próprios alunos como um dos motivos, 8% citam agressões de professores ou outros profissionais contra estudantes e 18% mencionam as duas situações.
Na rede pública, 72% consideram as escolas pouco ou nada seguras, ante 59% na rede privada. Em caso de agressão contra o filho, procurar uma autoridade na escola é a principal orientação dada pelos pais, tanto entre os que têm filhos em escolas públicas (77%) quanto na privada (71%). Já 16% dos responsáveis por alunos da rede pública orientariam o filho a devolver a agressão, percentual que cai para 9% na privada.
Para 89% dos brasileiros, crianças e adolescentes estão muito vulneráveis a crimes na internet. Um em cada três (33%) afirma conhecer alguma criança ou adolescente que já sofreu bullying ou constrangimento social on-line. Outros 25% conhecem casos de mensagens de conteúdo sexual, 20% de convites para encontros presenciais com estranhos e 10% de imagens falsas criadas por inteligência artificial.
O acompanhamento das interações on-line é defendido por 96% dos entrevistados. Entre crianças de 0 a 5 anos, 94% têm o uso supervisionado; o percentual cai para 68% entre adolescentes de 15 a 17 anos. O bloqueio de conteúdos perigosos é a medida mais citada para crianças de até 11 anos (56%) e para adolescentes de 12 a 17 anos (49%).


