O 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública (ComPública) teve início nesta quarta-feira (16), na Câmara dos Deputados, em Brasília, com foco na acessibilidade e na escuta ativa do cidadão. O evento, que segue até sexta-feira (18), reúne mais de 1,8 mil inscritos de todas as regiões do país nos formatos presencial e remoto.
Durante a abertura, gestores e especialistas defenderam que a comunicação do Estado deve ser um processo de inclusão e não apenas de transmissão de dados. Ana Cristina Siqueira Novaes, diretora-geral do Instituto Serzedello Corrêa do Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou que a linguagem e os canais devem ser adequados às diferentes realidades do país para evitar que a informação chegue a apenas alguns grupos.
O presidente da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública), Jorge Duarte, declarou que a comunicação pública deve auxiliar as instituições a cumprir sua missão. Segundo Duarte, quando esse processo falha, o cidadão perde tempo, dinheiro, segurança e confiança nas instituições. Ele citou a falta de pessoal e a ausência de planejamento estratégico como obstáculos estruturais do setor.
A diretora de Comunicação Social do Senado Federal, Glauciene Lara, mencionou a dificuldade de fazer a informação de qualidade alcançar o público em um ambiente saturado por algoritmos e narrativas concorrentes. Lara citou a complexidade de lidar com a inteligência artificial sem abrir mão da ética e da mediação humana.
A subsecretária-geral das Nações Unidas para a Comunicação Global, Melissa Fleming, relacionou a queda na confiança nas democracias à desinformação. Para Fleming, a solução exige que as instituições busquem o público nos canais que ele utiliza e na língua que ele fala. Amanda Maria Ramalho de Carvalho, diretora-geral-adjunta da Câmara, afirmou que o jornalismo público deve promover a transparência e estimular a participação política.
A cerimônia de abertura incluiu a entrega de prêmios. A Universidade Federal de Sergipe (UFS) recebeu o Prêmio Neusa Meller de Audiovisual Universitário, enquanto o professor sênior Wilson da Costa Bueno, da Universidade de São Paulo (USP), foi contemplado com o Prêmio Beth Brandão de Comunicação Pública.

