Um copiloto da companhia aérea Flydubai esfaqueou o piloto dentro do cockpit e tentou derrubar a aeronave durante um voo de Dubai para Tel Aviv, nesta quarta-feira (30). O avião, com 174 passageiros — 166 deles israelenses —, fez um pouso de emergência na Arábia Saudita após passageiros e tripulantes conterem o agressor.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou o incidente e afirmou que passageiros e tripulantes “salvaram muitas vidas e impediram um enorme desastre” ao intervir. O agressor foi preso e ambos os pilotos foram levados ao hospital, segundo o premiê.
A aeronave, um Boeing 737 que operava o voo FZ 1073, decolou de Dubai pela manhã. Antes de chegar à fronteira com a Jordânia, fez uma curva brusca para o norte e perdeu cerca de 4,3 quilômetros de altitude em 30 segundos, segundo o site de rastreamento Flightradar24. O avião transmitiu o código 7700, de emergência, e depois o 7500, usado para comunicar sequestro.
A passageira Miryam Shira Ohayon, citada pela agência Reuters, disse que o avião começou a rodar “praticamente fora de controle”. Netanyahu afirmou que o copiloto esfaqueou o piloto na tentativa de assumir o controle e derrubar a aeronave. Quando o avião começou a cair, um passageiro e um membro da tripulação invadiram a cabine e imobilizaram o agressor.
Entre os passageiros que intervieram estavam membros das forças de segurança israelenses e agentes de segurança aérea, segundo fonte a par da investigação citada pela agência France Presse. Israel mobilizou aviões de combate, temendo um sequestro, confirmou uma autoridade. A FlyDubai afirmou que “ocorreu uma briga na cabine de comando” e que a tripulação de plantão “desviou a rota e pousou a aeronave com segurança”.
Vídeos divulgados pelo Canal 12 da televisão israelense mostram três passageiros ensanguentados ao lado da cabine, protegendo os dois pilotos, que aparecem no chão. “Fomos atacados e estamos protegendo o piloto que foi atacado”, afirmam os homens, enquanto mostram o suposto agressor deitado no chão com máscara de oxigênio.
O suposto agressor seria um cidadão de Omã, segundo a Reuters. Ele foi detido após o pouso e interrogado pelas autoridades da Arábia Saudita. Integrantes das forças de segurança israelenses avaliaram o incidente, a princípio, como tentativa de ataque terrorista, sem indícios de problemas psicológicos nos pilotos. O ministro da Defesa, Israel Katz, classificou o caso como tentativa de “ataque jihadista”, sem explicar a base da avaliação.
Investigações israelenses apontam que o copiloto agiu sozinho, sem indícios de envolvimento de Estado ou organização terrorista, informou a emissora Kan. O incidente ocorre uma semana antes do aniversário do ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.


