O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16), em um corte de 0,25 ponto porcentual. A decisão, que representa a quinta queda consecutiva, levou os juros ao menor patamar desde março de 2025.
Analistas do mercado financeiro avaliam que a autoridade monetária manteve a cautela e não garantiu novas reduções nas reuniões seguintes. Segundo economistas, o BC deixou a possibilidade de novos cortes aberta, mas condicionou as decisões futuras à evolução dos dados econômicos e ao cenário de incertezas.
O diagnóstico atual aponta moderação na atividade econômica, especialmente em setores cíclicos. O Copom informou que a inflação corrente desacelerou e ficou abaixo do limite superior do intervalo de tolerância. No entanto, as expectativas para 2026 e 2027 permanecem desancoradas, em 4,9% e 4,3%, respectivamente.
Riscos climáticos sobre alimentos e energia, a volatilidade do câmbio e o preço do petróleo, acima de US$ 100 o barril, foram citados como fatores de atenção. A projeção de inflação para 2026 no cenário de referência do próprio comitê subiu de 5,1%, em agosto, para 5,2%.
O cenário externo também influencia a postura do BC. Enquanto o Brasil corta juros, economistas citam aperto monetário global, com altas de taxas nos Estados Unidos, Europa e Japão. A vulnerabilidade do real e a proximidade do período eleitoral reforçam a necessidade de flexibilidade na condução da política monetária.
Para o setor produtivo, a manutenção de juros em patamares elevados mantém o crédito restrito e o custo de capital alto. O impacto real para as empresas dependerá de quando a redução da Selic se traduzir em alívio para o serviço da dívida e em novos investimentos.


