O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% nesta quarta-feira (16). A decisão foi unânime e esperada pelo mercado, mas a autoridade monetária não sinalizou os próximos passos, mantendo a projeção de inflação em 3,2% para o primeiro trimestre de 2028.
A ausência de um compromisso explícito sobre futuras movimentações, o chamado forward guidance, dividiu analistas. Parte dos economistas acredita que o ciclo de cortes terminou em 2026. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, afirmou que a decisão foi calibrada diante de riscos assimétricos e que este deve ser o último corte do ano, citando a resiliência dos preços de serviços, que rodam a 7%.
Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, disse que o espaço para novas reduções é praticamente inexistente, pois a melhora da inflação seria temporária. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, e Marcos Praça, diretor da ZERO Markets Brasil, apontaram que a elevação de juros pelo Federal Reserve (EUA) e pelo Banco Central Europeu limita a margem de manobra do Brasil.
Outras instituições, como a XP Macro, projetam que a desaceleração econômica permitirá a continuidade das quedas, com a Selic chegando a 13,25% ao fim de 2026. Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, informou que a inflação cheia e os núcleos estão abaixo do teto. Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, argumentou que o custo elevado do crédito penaliza o setor produtivo.
Fatores externos também preocupam. José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, explicou que o El Niño intenso e a guerra no Oriente Médio, com petróleo acima de US$ 100 por barril, podem reverter a queda dos preços. A XP e a Suno corroboram a tese de que o clima impactará os alimentos in natura.
O calendário eleitoral é visto como motivo do silêncio estratégico do Banco Central. João Debom, sócio da Supernova Investimentos, avaliou que a instituição comprou tempo para evitar que a sinalização fosse lida como interferência no pleito presidencial. Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital, disse que juros, bolsa e câmbio operam agora sob a influência do tema eleitoral.
No setor imobiliário, Alex Sales, fundador da Alumbra Empreendimentos, afirmou que o corte diminui barreiras, mas o efeito nas vendas não é imediato. Para investidores, a consultora da Unicred Porto Alegre, Ana Priscila Kologeski, recomendou a revisão de carteiras para travar taxas em prefixados, já que a renda fixa tende a ficar menos atrativa com a queda dos juros.


