Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, rejeitou nesta quarta-feira (30) as conclusões preliminares da Coreia do Sul de que o Norte instalou minas terrestres que feriram três soldados sul-coreanos na semana passada. Ela ameaçou responder caso tropas sul-coreanas atirem contra militares do Norte que reforçam fortificações na fronteira.
O caso tende a elevar ainda mais a tensão entre as duas Coreias, que atualmente não mantêm linhas diretas militares nem outros canais de comunicação de emergência.
Três soldados sul-coreanos ficaram feridos em duas explosões em 21 de setembro, perto da linha de demarcação militar, no setor oeste da Zona Desmilitarizada. Na segunda-feira, os militares do Sul anunciaram avaliação preliminar de que os explosivos seriam minas norte-coreanas, após inspeção conjunta com o Comando das Nações Unidas, liderado pelos EUA.
O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul afirmou que investigadores encontraram outra mina norte-coreana na terça-feira, durante inspeção de acompanhamento. O Comando da ONU disse que o Norte violou o armistício que encerrou os combates da Guerra da Coreia (1950-1953). O acordo proíbe atos hostis na zona desmilitarizada e veta a travessia da linha de demarcação sem autorização.
Autoridades sul-coreanas exigiram pedido de desculpas e medidas responsáveis. O ministro da Defesa, Kang Shin-chul, afirmou que Seul pode adotar medidas correspondentes caso a investigação confirme a responsabilidade do Norte.
Kim Yo Jong classificou a versão sul-coreana como farsa conspiratória e acusou Seul de criar pretexto de provocação. Ela insistiu que soldados do Norte nunca cruzaram a fronteira e ameaçou: se o Exército sul-coreano atirar contra militares do Norte, unidades de fronteira responderão com retaliação imediata e implacável.
As explosões ocorreram a cerca de 10 metros ao sul da linha de demarcação, durante operação para abrir rota de patrulha em área de vegetação densa. A zona tem 248 km de extensão e é uma das fronteiras mais militarizadas do mundo, com cerca de 2 milhões de minas. Em 2015, explosões mutilaram dois soldados sul-coreanos e elevaram a tensão, que recuou após negociações.


