Um grupo de detentores de títulos da Braskem pediu à Justiça de São Paulo a proibição de novos desembolsos da companhia para a Braskem Idesa, unidade mexicana em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. Os credores alegam que a operação pode comprometer a liquidez da petroquímica brasileira.
A contestação foca em um financiamento do tipo debtor-in-possession (DIP) de US$ 415 milhões. Segundo documentos judiciais, outros compromissos financeiros poderiam elevar a exposição da Braskem para aproximadamente US$ 800 milhões, reduzindo o patrimônio disponível aos credores da recuperação extrajudicial no Brasil.
O Ministério Público de São Paulo, provocado pela juíza do caso, recomendou a suspensão dos pagamentos. A decisão final sobre o pedido deve ocorrer nesta semana.
A Braskem Idesa, joint venture com o grupo do empresário Carlos Slim, solicitou em agosto a recuperação judicial pré-negociada nos EUA após deixar de pagar juros de títulos em dólares. A unidade mexicana opera abaixo da capacidade devido a pressões de liquidez.
Paralelamente, a Braskem negocia a reestruturação de uma dívida de US$ 11 bilhões. A companhia, controlada pela Petrobras e pelo IG4 Capital Group, enfrenta queda de caixa após um desastre ambiental em minas de sal e a baixa nos preços do setor petroquímico.
As partes têm até 9 de outubro para acordar os termos da operação e até o fim de novembro para apresentar um plano final com apoio de mais da metade dos credores, evitando um pedido de recuperação judicial em território brasileiro.

