A turbulência nos mercados de energia, com a disparada dos preços do petróleo, diesel e gás natural, levou bancos centrais a projetarem duas elevações nas taxas de juros até fevereiro para conter a inflação. O cenário é agravado pela proximidade do inverno no Hemisfério Norte e por conflitos prolongados no Oriente Médio e na Ucrânia.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou na última quinta-feira que a alta dos preços do petróleo e do gás é um dos riscos que podem elevar as projeções de inflação nos próximos meses. Lagarde classificou o diesel como um “gargalo” econômico, justificando a segunda alta de juros implementada pelo órgão desde o início da guerra contra o Irã, em fevereiro.
O petróleo Brent ultrapassou US$ 100 por barril nesta semana, enquanto o índice de referência para transações físicas atingiu US$ 120 pela primeira vez desde junho. Em algumas regiões, os contratos futuros de diesel já superam US$ 200 por barril, podendo chegar a US$ 300 após a inclusão de impostos. Na Europa, o gás natural atingiu o maior nível desde o fim de 2022, com estoques baixos às vésperas do inverno.
A capacidade de refino limitada e ataques a infraestruturas energéticas prejudicam a oferta. A Ucrânia atingiu refinarias russas, reduzindo as exportações de diesel do país ao menor nível registrado. No Oriente Médio, a Arábia Saudita fechou o oleoduto Leste-Oeste após ataques de militantes houthis do Iêmen, restringindo a alternativa ao Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo e gás mundial antes do conflito.
O impacto já atinge a indústria. Evangelos Mytilineos, presidente-executivo da Metlen, maior produtora de alumínio primário da União Europeia, disse que os preços da eletricidade chegaram a níveis que impedem a produção de empresas despreparadas. Para tentar proteger os consumidores, países como a Itália adotaram cortes de impostos.
A Agência Internacional de Energia (AIE) informou nesta sexta-feira que 2026 deve registrar a maior queda na demanda por petróleo desde a pandemia, devido aos preços elevados do diesel. A agência alertou que, sem avanços nas guerras entre Irã e Israel ou entre Rússia e Ucrânia, os mercados ficarão ainda mais apertados, elevando o custo de vida.

