A falta de água e de energia elétrica em Havana tem provocado a propagação de vírus e doenças diarreicas, afetando a população da capital cubana. Autoridades de saúde locais e um alerta dos Estados Unidos apontam para o agravamento da situação, que atinge milhões de pessoas.
A dona de casa Yuamilka Hechavarria, que mora na Havana Velha, contou que a água invadiu a cisterna do prédio onde vive pela primeira vez em dois meses. Ela saltou da cama e correu para encher um balde antes que a torneira secasse, em meio a um apagão.
O cenário se repete em bairros por toda a capital, onde as quedas de energia, agravadas pelo bloqueio petrolífero dos Estados Unidos, paralisaram a infraestrutura que abastece os quase dois milhões de habitantes. Muitos ficam sem água encanada por dias ou semanas.
Hechavarria, profissional da área da saúde, disse que a diarreia se espalhou por todo o prédio. “Não há ninguém neste prédio que não tenha adoecido”, afirmou, acrescentando que ela própria se recuperava de um surto de febre e diarreia.
Autoridades de saúde em Cuba alertaram sobre a disseminação de vírus, incluindo uma cepa de hepatite viral. Um alerta dos EUA no início do mês advertiu viajantes sobre um “aumento significativo de doenças diarreicas em toda Cuba”.
Desde janeiro, os apagões em Havana costumam ultrapassar 24 horas, prejudicando a refrigeração e a infraestrutura hidráulica, da qual quase 90% depende de bombas elétricas, segundo o Instituto Nacional de Recursos Hidráulicos de Cuba.
Cerca de 3,5 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população da ilha, sofrem com a escassez de água, informou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.
A enfermeira Maria Elena Parlado, que trabalha em uma clínica do bairro, disse que até o local onde trata moradores contra surtos virais está sem água. “Entre um paciente e outro, eu deveria estar lavando as mãos, mas às vezes não consigo.”


