A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) impactou de maneira semelhante a imagem dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais entre 1 e 9 de setembro. Segundo levantamento da consultoria Bites, o volume de menções e a carga negativa foram equivalentes para ambos os postulantes.
Flávio Bolsonaro foi citado em 13,5% das postagens, enquanto Lula apareceu em 12,3% das publicações. O teor das citações foi predominantemente crítico: 62,3% das menções a Flávio foram negativas e 7,8% positivas; no caso de Lula, as negativas somaram 61,5% e as positivas 9,2%.
As discussões giram em torno do contrato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Os dados não incluem a operação da Polícia Federal (PF) ocorrida nesta quinta-feira (10) contra o deputado Mario Frias (PL-SP) para apurar desvios de emendas envolvendo a produtora do longa.
O diretor-técnico da Bites, André Eler, afirmou que a direita mobilizou melhor seu grupo para criticar ministros, especialmente Alexandre de Moraes, enquanto a esquerda tenta evitar o desgaste eleitoral de Lula. Eler explicou que o impacto negativo pode recair sobre ambos, pois a esquerda ainda não conseguiu se desincumbir da crise institucional.
A consultoria identificou 9,62 milhões de menções e 318 milhões de interações envolvendo o STF no período, volume similar ao registrado em setembro do ano passado durante o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe. O monitoramento abrangeu sites de notícias, blogs, fóruns e redes como X, Facebook, Instagram, Reddit, Youtube e Bluesky.
Alexandre Moraes foi citado em metade das menções. O ministro André Mendonça, relator dos inquéritos sobre fraudes no Banco Master, apareceu em 45% das publicações. A crise se intensificou no dia 1 de setembro, quando Mendonça levantou o sigilo de mensagens entre o ex-dono do Master e Moraes.
Em resposta, Moraes pediu a investigação de Mendonça por suposto abuso de autoridade nos casos do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A apuração indica que a esquerda questiona a imparcialidade de Mendonça, enquanto a direita apoia as ações do ministro indicado por Bolsonaro.


