O agro do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, enfrenta dificuldades com custos de produção, logística, armazenamento e acesso a crédito, segundo produtores e analistas ouvidos em programa da Revista Oeste. A banana lidera a produção regional, mas perdas no transporte são frequentes por causa de estradas ruins e falta de estrutura.
Marcelo Bolsonaro, cirurgião-dentista e produtor rural, afirmou que pequenos produtores têm dificuldade para manter a rentabilidade diante dos custos de insumos, combustíveis, máquinas e manutenção agrícola. Ele citou ainda que o tamanho reduzido das propriedades e as características da região interferem na produção.
As perdas durante o transporte da banana ocorrem por falta de armazenamento e por problemas nas estradas. Bolsonaro relatou situações em que quedas de barreiras interrompem o trânsito e prejudicam o escoamento.
Como alternativa, o produtor defendeu ampliar a industrialização. Entre os exemplos citados estão a transformação da banana em alimentos processados e o uso da fibra da bananeira para fabricar tecidos.
Além da banana, a região reúne produtores de pupunha, pitaia e mel. A apicultura aparece como opção de diversificação para pequenas propriedades, com produtores mantendo caixas de abelhas e comercializando o mel local.
Bolsonaro também abordou a saída de jovens das famílias rurais para as cidades, o que reduz a mão de obra e ameaça a continuidade da produção familiar.
Celso Ricardo, analista entrevistado no programa, disse que o aumento da produção e do faturamento não representa necessariamente maior margem de lucro, por causa de despesas com insumos, juros, impostos e fretes. Ele afirmou que o endividamento reduz a capacidade de investimento e propôs acompanhamento financeiro com análise de custos por hectare, quilo ou litro produzido.
Os entrevistados relacionaram a situação financeira à oferta de alimentos no mercado interno. Medidas de crédito, infraestrutura, armazenamento, assistência técnica e políticas de comercialização poderiam manter pequenos produtores na atividade. Também foi citada a possibilidade de ampliar a compra de produtos do Vale do Ribeira para abastecer escolas e hospitais.


