Um número de telefone identificado em relatório da Polícia Federal, que registra conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, coincide com a linha vinculada ao Supremo Tribunal Federal (STF) detectada pela CPMI do INSS em março. A apuração indica que o telefone está associado a contas digitais em nome do ministro Alexandre de Moraes e de familiares.
O relatório da PF, divulgado na terça-feira (1º), apresenta mensagens entre Vorcaro e um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. Segundo a PF, os contatos foram compartilhados com o banqueiro pelo ex-ministro Fábio Faria em dezembro de 2023. A polícia não confirmou a titularidade da linha com a operadora, pois apreendeu apenas o aparelho de Vorcaro.
Os diálogos mostram que o banqueiro cobrava atenção a pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, gerido por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Vorcaro também teria tratado de informações sobre a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master, e de medidas contra sua própria prisão preventiva.
A linha foi inicialmente localizada pela CPMI do INSS durante investigação sobre fraudes em aposentadorias. Em 19 de março, o senador Carlos Viana, então presidente da comissão, informou que o Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos (Sittel) vinculava o número ao STF. Documentos indicam que a linha foi ativada em 22 de fevereiro de 2017, data da aprovação de Moraes pelo Senado.
Verificações independentes via plataforma Osint Industries associaram o telefone a um perfil no TikTok identificado como “Xandao”, criado em 2024. A conta era seguida por perfis vinculados a Viviane Barci e a uma das filhas do ministro. O número da esposa, identificado no relatório da PF, também serve como chave Pix do escritório de advocacia da família.
O STF negou, em março, que mensagens apreendidas tivessem sido enviadas ao ministro, afirmando que a análise técnica não conferia com os contatos de Moraes. O senador Carlos Viana afirmou em nota que cobra novos esclarecimentos da Corte sobre a titularidade do número diante das novas revelações.


