A defesa do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou quatro pedidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) entre 13 e 29 de julho de 2026 para que o ministro André Mendonça assumisse a relatoria de investigações sobre o envio de emendas parlamentares à produtora do filme ‘Dark Horse’.
Os requerimentos visavam retirar do ministro Flávio Dino a relatoria de parte das apurações. Parte das solicitações foi enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, e outras ao próprio Dino. A estratégia não teve sucesso e, na quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação contra 29 pessoas, com autorização de Dino.
A investigação chegou ao STF via Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, proposta pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Tabata e o deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) alegam desvio de finalidade e descumprimento de normas de transparência na execução das emendas.
Nos documentos, os advogados de Flávio sustentam que Mendonça já relatava cinco de seis ações de uma mesma leva de investigações. A defesa afirma que houve “manipulação das regras de competência” para criar uma prevenção artificial de Flávio Dino, indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto Mendonça foi indicado por Jair Bolsonaro (PL).
O caso investiga o financiamento de longa-metragem sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal identificou um contrato de US$ 24 milhões para a produção, do qual US$ 12,3 milhões foram remetidos em 2025 pela Entre Investimentos ao fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.
Registros no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam tratativas entre Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias (PL-SP) para viabilizar os aportes. A PF afirma que Flávio manteve contato direto com Vorcaro e cobrou pagamentos para o projeto.
A apuração também mira um fluxo de recursos que começa em emendas de Mario Frias. Foram identificados R$ 2 milhões destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), que repassou R$ 700 mil a empresas do grupo. A produtora Go Up Entertainment recebeu R$ 750 mil da NTT Brasil e outros R$ 645,4 mil transferidos diretamente por Frias.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou a possibilidade de crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O órgão determinou a busca por proposições de Flávio e de Frias no Congresso que pudessem interessar ao Banco Master ou a Vorcaro.

