A ala de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) tenta barrar a abertura de uma investigação contra o ministro alegando falhas processuais no relatório da Polícia Federal. A discussão ocorre em sessão marcada para esta terça-feira (15), na qual serão analisadas preliminares que podem anular a apuração sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, assumiu no sábado (12) a relatoria do caso. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou a favor do arquivamento do documento produzido pelo ministro André Mendonça. O órgão argumenta que a elaboração foi irregular, ocorrida no âmbito do caso Master sem comunicação à Presidência do STF, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.
A Polícia Federal localizou 52 mensagens trocadas entre 21 de dezembro de 2023 e 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão de Vorcaro. O relatório aponta que Moraes teria atuado na análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro. Segundo a PF, o ex-banqueiro pediu ajuda ao magistrado para conter ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal contra o banco.
Outro ponto de debate é o acesso à íntegra do conteúdo extraído do celular de Vorcaro. Os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Moraes, além da PGR, defendem que a análise total do material é necessária para a avaliação do plenário. Fachin concedeu prazo de 24 horas para que a PF preste informações sobre o aparelho, o que pode adiar a sessão de terça-feira.
O prazo para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestem sobre a produção do relatório termina nesta segunda-feira (14). O rito da sessão ainda não foi anunciado por Fachin, mas há a possibilidade de que o julgamento ocorra a portas fechadas.
Até o momento, seis votos são considerados prováveis. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como alinhados a Moraes, enquanto Mendonça teria o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, e Dias Toffoli teria indicado a tendência de não participar do julgamento.

