O deputado distrital Gabriel Magno (PT) apresentou, nesta quarta-feira (16), um pedido de impeachment contra a governadora Celina Leão (PP) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A representação aponta possíveis crimes de responsabilidade relacionados a operações do Banco de Brasília (BRB), contratos de serviços e relações patrimoniais privadas.
O parlamentar fundamenta a denúncia na Lei nº 1.079/1950, citando violações à probidade administrativa e ao decoro do cargo. Um dos eixos do pedido envolve a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Magno menciona mensagens de 2025, atribuídas ao ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, que sugeririam que a governadora tinha conhecimento das negociações, contrariando declarações públicas anteriores.
Celina Leão contesta a interpretação e afirma que sempre foi contrária à compra do banco, sustentando a inexistência de registros que comprovem sua participação direta. O deputado argumenta que as mensagens, isoladamente, não provam o crime, mas pede que se investigue se a governadora omitiu informações de órgãos de controle após assumir definitivamente o cargo.
A representação também questiona repasses de R$ 1,4 milhão feitos pela Real JG Facilities à Faceng Engenharia, empresa ligada ao marido e à filha da governadora. O documento indica a emissão de notas fiscais mensais de R$ 100 mil entre 2025 e 2026. Magno solicita acesso a ordens de serviço e relatórios para verificar se houve conexão entre esses pagamentos e decisões do governo.
Outro ponto refere-se à compra de um embrião bovino Nelore, avaliada em R$ 500 mil e parcelada em 30 vezes, realizada em setembro de 2025 por Celina e o marido em copropriedade com Edmundo de Carvalho Pinheiro. O empresário é ligado ao Consórcio Urbi-HP, do transporte público do DF. O parlamentar questiona se a relação privada gerou conflito de interesses em decisões administrativas do Executivo.
A apresentação do pedido não implica afastamento imediato da governadora. A CLDF deve agora analisar a admissibilidade da acusação e garantir o direito de defesa. Caso o processo avance, a Câmara poderá requisitar informações ao Banco Central, Polícia Federal e Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).

