A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, a menor para o período desde 2012, segundo a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE. A população ocupada chegou a 103,5 milhões, recorde da série histórica, com 774 mil pessoas a mais trabalhando.
O resultado veio em linha com a mediana das estimativas do mercado, que indicava estabilidade da taxa de desemprego em 5,3%, mesma variação registrada no trimestre encerrado em julho. No trimestre encerrado em maio, o índice era de 5,6%.
O contingente de desocupados ficou em 5,8 milhões entre junho e agosto, o menor desde o trimestre encerrado em novembro de 2025, quando estava em 5,6 milhões. Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, o “grande motor” da taxa foi o aumento das contratações e a entrada de pessoas no mercado como empregadores ou trabalhadores por conta própria.
“Não posso falar em perda de fôlego. Em momentos como esse, as reduções tendem a ser menores porque estamos em um limite”, afirmou.
A maior parte do avanço do emprego veio da informalidade. Dos 774 mil novos ocupados, 528 mil não tinham carteira assinada ou CNPJ: 224 mil estavam empregadas no setor privado sem carteira e outras 117 mil passaram a trabalhar por conta própria sem CNPJ.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado chegou a 39,5 milhões, o maior contingente da série, com avanço de 244 mil pessoas ante o trimestre anterior. Já o número de empregados sem carteira era de 13,7 milhões, estável no trimestre e no ano.
Indústria e construção foram as principais responsáveis pela alta na ocupação: a indústria teve 256 mil trabalhadores a mais (alta de 2%), enquanto a construção contratou 306 mil pessoas (avanço de 4,1%). O rendimento médio ficou estável em R$ 3.777 ante o trimestre anterior, mas subiu 3,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O Novo Caged do Ministério do Trabalho e Emprego registrou a criação de 165.827 postos formais em agosto, o segundo pior resultado para o mês desde o início da série, em 2020. O setor de serviços foi o que mais contratou, com 110.346 vagas, seguido de construção (20.848), indústria (16.613), comércio (16.565) e agropecuária (1.452).


