Informações falsas que ligavam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil geraram 977,6 mil publicações nas redes sociais em 55 horas, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX). O caso se tornou a terceira maior repercussão política do ano na internet.
O levantamento, divulgado no sábado (26), registrou 8,5 milhões de interações — comentários, curtidas e republicações — entre quinta e sábado. Só nas primeiras 24 horas, foram 669,9 mil publicações.
O caso só perdeu, nesse recorte inicial, para o embate entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do STF, em 1º de setembro, e para os áudios de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o filme “Dark Horse”, em 13 de maio.
A desinformação nasceu com o resgate, por governistas, de um projeto de 2007, arquivado em 2008. Segundo monitoramento da campanha de Flávio, a primeira publicação foi do influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, do perfil “Dilma Bolada”, às 21h50 de quarta-feira (23). A equipe do candidato apresentou o levantamento ao TSE.
Na quinta-feira (24), o programa Em Pauta, da GloboNews, abordou o tema e a emissora depois veiculou correção: “Nós pedimos desculpas pelo erro”. Mesmo após a retratação, o coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom, George Marques da Silva e Silva, republicou mensagem que estimulava o compartilhamento do boato. A publicação foi apagada, e Flávio pediu a prisão preventiva dele.
No sábado, a decisão de Mendonça, que determinou a remoção de publicações, gerou novo pico. Segundo o IDX, perfis à esquerda usaram a decisão para deslocar o debate para censura e liberdade de expressão.
Entre 345 posts de perfis políticos monitorados, a esquerda produziu 66% das publicações; a direita, 33%; a imprensa, 1%. Nas interações, a esquerda respondeu por 70%. A frente “tirar o título de Aparecida” concentrou 53% das postagens, com 80% vindas da esquerda.

