O governo da Dinamarca afirmou, em relatório de inteligência, que existe um risco baixo, porém crescente, de a Rússia lançar um ataque militar limitado contra países da Otan. O documento indica que a chamada guerra híbrida de Moscou contra a Europa está escalando e que o presidente Vladimir Putin parece disposto a realizar ações mais ousadas a curto prazo.
A análise do Serviço Dinamarquês de Inteligência de Defesa cita incidentes recentes como a descoberta de um drone com explosivos em Leipzig, na Alemanha, e a postura agressiva de embarcações russas no Mar Báltico. O texto prevê que a Rússia intensificará ataques cibernéticos destrutivos capazes de paralisar funções sociais críticas e sabotagens com alto risco de vítimas.
Segundo o relatório, um ataque militar limitado seria uma tentativa de desviar recursos europeus do apoio à Ucrânia e provocar divisões internas na Otan. A inteligência dinamarquesa avalia que não há perspectiva de avanços significativos da Rússia na guerra ucraniana nos próximos seis meses, mas que Putin não deve ceder em seus objetivos fundamentais.
Líderes europeus manifestaram preocupação semelhante. O presidente da França, Emmanuel Macron, ordenou o reforço de locais estratégicos, enquanto o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que Moscou usa desinformação para desestabilizar a região. Na Polônia, o vice-premier Krzysztof Gawkowski classificou um incêndio em uma estação da Starlink como ato de sabotagem.
O general Sean Clancy, conselheiro militar da União Europeia, afirmou que a atividade russa está se tornando onipresente. Analistas indicam que o Kremlin busca testar o limite do Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, que prevê a defesa mútua, aproveitando fissuras na aliança após o retorno de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, pediu calma e declarou que todas as opções de resposta estão disponíveis. O governo russo nega as acusações. Vladimir Putin disse não ter intenção de atacar o continente e o chanceler Sergei Lavrov afirmou que o Ocidente promove ruído geopolítico e propaganda para semear ódio contra a Federação Russa.

