O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (17) que a Polícia Federal (PF) investigue novos indícios de crimes em operações do Banco Master com concessionárias de cemitérios em São Paulo. A decisão surge após a identificação de vínculos do banco com o Grupo Maya.
Dados citados por Dino indicam que créditos da empresa Cemitérios e Crematórios SP, ligada ao Grupo Maya, serviram como garantia em dois financiamentos que somavam R$ 78 milhões. As três acionistas da concessionária alienaram fiduciariamente todas as ações ao Banco Master, concedendo ao credor poderes sobre decisões societárias e orientações de voto em assembleias.
O ministro informou que os créditos passaram por operações financeiras em estruturas do conglomerado, chegando à Master Holding, nas Ilhas Cayman, antes de serem usados em negociação com o BRB. Segundo a decisão, o grupo de Daniel Vorcaro mantinha esses interesses na concessionária no momento de um encontro entre o banqueiro e o ministro André Mendonça.
Até então, as suspeitas concentravam the-se na Cortel, outra concessionária onde Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi conselheiro. Dino afirmou que as novas informações sobre o Grupo Maya reforçam a existência de vínculos entre o conglomerado econômico do Banco Master e empresas atingidas pela ADPF 1196.
Apesar de ter levantado suspeitas sobre a conduta de Mendonça em momento anterior, Dino proibiu que a atual apuração da PF alcance o colega. O ministro declarou que qualquer ato investigativo contra Mendonça é vedado, pois tal competência cabe exclusivamente ao presidente do STF junto ao Colegiado.
O escopo da investigação fica restrito às relações entre o banco e as concessionárias, além de possíveis agentes dos poderes Executivo e Legislativo. Dino comunicou os fatos ao ministro Edson Fachin e determinou a ciência da presidência do STF para as providências cabíveis.

