O ministro Flávio Dino solicitou nesta terça-feira (15) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a apuração de possíveis conexões entre o ministro André Mendonça, o Banco Master e a concessão de serviços funerários e cemiteriais em São Paulo. O pedido ocorre enquanto a Corte julga a investigação de Alexandre de Moraes por ligações com o mesmo banco.
Dino aponta que Mendonça recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, na sede do Instituto Iter em 14 de março de 2025. No dia seguinte, o ministro pediu vista em um processo sobre serviços funerários na capital paulista, tema em que fundos do Banco Master possuíam interesses relacionados à privatização. Mendonça confirmou a reunião, mas afirmou que o assunto foi a Suspensão de Tutela Provisória 976, referente a precatórios da Agroindustrial Tabu.
A versão do ministro é contestada por áudios de Vorcaro, nos quais o advogado Ciro Rocha Soares afirma que Mendonça queria recebê-lo e já conhecia a situação envolvendo o Banco Central. Em 4 de abril de 2025, ao retomar o julgamento, Mendonça votou contra a medida cautelar anteriormente concedida por Dino, divergência que foi acompanhada por outros ministros.
O pedido de apuração também menciona Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do ministro, que atua na SP Regula, agência de regulação de serviços públicos de São Paulo, com responsabilidades na área funerária. Dino citou ainda contratos sem licitação firmados pelo Instituto Iter com a Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 380 mil, e com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), de aproximadamente R$ 1,63 milhão.
A investigação mira também a Cortel, concessionária de cemitérios em São Paulo. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi conselheiro da empresa entre 2022 e 2025 e teria utilizado endereços do Banco Master em documentos da companhia. A Prefeitura de São Paulo já apura interferência do banco em concessionárias do setor.
Dino determinou que a Prefeitura de São Paulo e a SP Regula apresentem documentos sobre a Cortel em 10 dias. Informações também foram requisitadas ao Ministério Público de São Paulo e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O ministro ressalvou que os fatos não significam, por si sós, interferência externa na atuação de Mendonça, mas justificam o esclarecimento.


