O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta terça-feira (15) explicações sobre uma possível relação entre o Banco Master, o Instituto Iter e contratos firmados pelo município de São Paulo. O pedido foi endereçado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Dino fundamentou o pedido ao mencionar que, em março de 2025, o ministro André Mendonça recebeu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro na sede de uma empresa privada. O Instituto Iter foi fundado por Mendonça em novembro de 2023, quase dois anos após a posse do magistrado na Corte.
De acordo com o documento, o Instituto Iter passou a manter relações contratuais remuneradas com a Prefeitura de São Paulo após o encontro com Vorcaro. O município é parte em uma ação que discute as regras de funcionamento de cemitérios privados no estado.
O ministro afirmou que o objetivo é entender se existe conexão entre a reunião, a entidade de ensino, os contratos e a atuação de Mendonça no processo dos cemitérios. Ele declarou que a convergência temporal e a natureza dos fatos constituem quadro indiciário relevante para apuração pelas autoridades competentes.
Dino ressalvou que a solicitação não afirma a existência de relação causal entre as circunstâncias, nem que os atos jurisdicionais tenham sido determinados por interesses externos ao processo.
Paralelamente, o plenário do STF analisa nesta terça-feira se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por suposta relação com Daniel Vorcaro. O caso tornou-se público no início do mês, quando Mendonça, antigo relator do processo, retirou o sigilo e encaminhou conversas de Moraes com o ex-banqueiro para Fachin.
Na mesma ocasião, André Mendonça anunciou que deixaria a sociedade no Instituto Iter. O ministro informou que nunca recebeu lucros da instituição de ensino privada, que oferece cursos de capacitação e pós-graduação executiva.

