O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, retirou neste domingo (13) o sigilo da investigação sobre o filme Dark Horse. A decisão indica a existência de um esquema de desvio de emendas parlamentares federais e de recursos da prefeitura de São Paulo, com supostos vínculos com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
No despacho, Dino afirma que a hipótese de um sofisticado esquema de destinação de verbas se fortaleceu. O ministro menciona que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) ocuparia um papel de liderança na arquitetura criminosa. Frias, que é roteirista e produtor-executivo da obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) na última quinta-feira (10) e nega irregularidades.
A investigação apura o uso de dinheiro do Banco Master para o custeio do filme por meio de dois procedimentos. Um deles foca em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a instalação de pontos de Wifi na periferia da capital. A entidade é representada por Karina Gama, sócia da empresa GoUp.
O segundo inquérito trata de emendas parlamentares enviadas por deputados federais ao ICB. A Polícia Federal suspeita que os recursos tenham sido transferidos para a GoUp através de triangulação com empresas intermediárias. No âmbito desta apuração, 49 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na última quinta-feira.
Dino determinou que a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo entregue todo o material bruto extraído de celulares de pessoas físicas e jurídicas investigadas à PF. O magistrado ordenou a transferência de aparelhos celulares, computadores e documentos para a custódia da corporação, sob responsabilidade do diretor-geral Andrei Rodrigues.
O ministro defendeu a publicidade das investigações, justificando que proprietários de bancos, políticos e magistrados são suspeitos nos processos. A decisão cita ainda um despacho do ministro André Mendonça, que levantou o sigilo de outros procedimentos ligados ao Banco Master após pedido do presidente do STF, Edson Fachin.


