A dívida bruta do governo geral (DBGG) atingiu R$ 10,9 trilhões em julho, equivalendo a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O índice representa o maior patamar do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e registra alta de 0,6 ponto percentual desde março, quando Dario Durigan assumiu o Ministério da Fazenda.
A dívida líquida também apresentou crescimento, chegando a 69,1% do PIB em julho. O número é o maior da série histórica iniciada em dezembro de 2001 e está 2,4 pontos percentuais acima do nível registrado em março de 2026. Esse indicador considera os débitos do setor público descontados por ativos, como as reservas internacionais.
O resultado estrutural, medido pela Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, tornou-se negativo no atual mandato presidencial. A IFI registrou superávit em 2021 e 2022, mas o cenário foi revertido nos últimos três anos. Durigan já atuava na pasta desde junho de 2023, quando ocupava o cargo de secretário-executivo.
A trajetória da dívida foi influenciada pela mudança no arcabouço fiscal aprovada pelo Congresso em agosto de 2023. A nova regra, proposta pelo governo, é mais flexível que o antigo teto de gastos e permite que as despesas cresçam acima da inflação, dependendo do desempenho das receitas.
O colchão de liquidez, que mede a capacidade de cobrir vencimentos da dívida, subiu de 5,7 meses em março para 7,8 meses em julho. O índice, porém, registrou queda em relação a maio, quando havia atingido 9,1 meses.
Apesar de sinalizar a analistas de mercado a intenção de realizar um ajuste fiscal em 2027, os dados dos quase seis meses de gestão de Durigan provocam ceticismo entre agentes financeiros. A desconfiança sobre a possibilidade de ajuste em um eventual quarto mandato de Lula é reforçada pelo desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) em pesquisas eleitorais recentes.

