Documentos internos do Federal Bureau of Investigation (FBI), divulgados pelo senador Chuck Grassley, presidente do Comitê Judiciário do Senado, revelam que agentes da agência tentaram intervir em investigações envolvendo Donald Trump e Elon Musk entre 2017 e 2025, evidenciando, segundo Grassley, a existência de viés político na burocracia federal.
Os registros mostram que, em fevereiro de 2025, o agente Kevin Gounaud defendeu a abertura de um processo criminal contra Elon Musk. Na época, Musk atuava como funcionário especial do governo na supervisão do Doge. A motivação de Gounaud foi uma solicitação de Musk para que servidores federais relatassem cinco tarefas semanais.
O agente questionou a utilização da rede social X para a divulgação do pedido e comparou a atitude ao uso de e-mails privados por Hillary Clinton para tratar de assuntos governamentais. Grassley criticou a conduta de Gounaud ao afirmar que o agente estava disposto a criminalizar a cobrança de relatórios de atividades de servidores.
Outro documento indica que Walter Giardina enviou ao menos sete e-mails, ao longo de quatro semanas a partir de janeiro de 2017, para tentar ingressar na Operação Crossfire Hurricane. A investigação de contrainteligência apurava possíveis vínculos entre a campanha de Trump e a Rússia, caso posteriormente conduzido pelo procurador especial Robert Mueller.
A apuração de Mueller não comprovou conspiração criminosa entre a campanha e o governo russo. Giardina mantinha contato com Timothy Thibault, ex-agente que recebeu uma advertência do Escritório do Conselheiro Especial dos Estados Unidos em 2024 por violar a Lei Hatch ao compartilhar conteúdo político contra Trump.
Grassley afirmou que esses esforços de agentes contradizem declarações anteriores de ex-funcionários do FBI, que alegavam que os investigadores não selecionam os casos em que atuam. O FBI foi procurado para comentar as informações.


