Documentos obtidos pela imprensa local revelam conversas entre o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o banqueiro Daniel Vorcaro durante as tratativas para a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os registros indicam que Rocha discutiu etapas e condições da operação, contrariando a afirmação do político de que não participou diretamente do negócio.
O material, extraído do aparelho celular de Vorcaro, coloca em dúvida a versão de que Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, teria conduzido as negociações sozinho. O banqueiro declarou ter conversado com o ex-governador sobre a transação, que envolvia a compra de uma instituição financeira por um banco controlado pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
Em comício realizado no dia 16 de setembro, em Ceilândia, o presidente Luiz Inácio Lula afirmou que a ligação entre Ibaneis e Vorcaro causou a crise no BRB. Segundo Lula, a instituição comprou R$ 12 bilhões em títulos que não existiam.
A apuração indica que, em maio de 2024, a Ibaneis Advocacia e Consultoria assinou contrato com a Pedra Azul FIDC, antiga Reag Legal Claims. O acordo envolvia honorários de precatórios com valor de face de R$ 38,1 milhões. O fundo era ligado à Reag, empresa alvo de investigações da Polícia Federal e liquidada pelo Banco Central por graves violações às normas financeiras.
A Reag também foi citada na Operação Carbono Oculto. As investigações sobre o Banco Master chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) e analisam as relações de Vorcaro com integrantes dos Três Poderes.
No Distrito Federal, os documentos concentram-se no período em que o BRB ampliou a relação comercial com a instituição de Vorcaro. Na época, Celina Leão era vice-governadora, mas a apuração aponta que ela não integrava o projeto sucessório de Ibaneis, que trabalhava para que Paulo Henrique Costa assumisse o governo.


