Uma pesquisa em jornais da época indica que a seleção brasileira de futebol passou apenas três noites na Casa dos Arcos, no Joá, entre 24 de junho e 16 de julho de 1950. O dado contradiz relatos de jogadores que, por décadas, atribuíram a derrota na Copa ao abandono do local antes do jogo contra o Uruguai.
A concentração na residência do banqueiro Drault Ernanny de Mello e Silva foi aberta em 31 de maio de 1950. No entanto, em 20 de junho, o técnico Flávio Costa determinou a desmobilização temporária do local para que os atletas retornassem a São Januário. A decisão foi motivada pela necessidade de preparo intensivo e por recomendações do Departamento Médico, que alertou sobre o frio na região.
A equipe retornou ao Joá após a vitória por 4 a 0 sobre o México, em 24 de junho, mas voltou a São Januário após a partida contra a Suíça, em 28 de junho. No dia 2 de julho, o Jornal dos Sports informou que os jogadores não retornariam mais ao Joá devido às baixas temperaturas noturnas.
O único retorno posterior ao local ocorreu por apenas uma noite, entre domingo e segunda-feira, 10 de julho, para evitar a curiosidade de torcedores após a goleada de 7 a 1 sobre a Suécia. A partir de então, a seleção permaneceu em São Januário até o fim do torneio.
A apuração refuta a tese de que a saída definitiva do Joá teria ocorrido após a vitória por 6 a 1 sobre a Espanha, em 13 de julho. Naquela ocasião, Flávio Costa chegou a sugerir o retorno à Barra da Tijuca para garantir tranquilidade antes da final, mas a ideia foi vetada pelo Departamento Médico por causa do frio.
Durante décadas, atletas utilizaram a falta de sossego nos alojamentos do Vasco da Gama e a decisão de deixar o Joá como justificativas para a perda do título. Os registros mostram, porém, que a equipe permaneceu a maior parte do tempo em São Januário, onde enfrentou a presença de torcedores e políticos às vésperas da derrota por 2 a 1 para o Uruguai, em 16 de julho.

