O dólar fechou em alta de 0,86% nesta segunda-feira (28), a R$ 5,2265, maior valor desde 30 de março, pressionado pela aversão ao risco no exterior. O impasse entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de mais altas de juros pelo Federal Reserve fortaleceram a moeda norte-americana frente a divisas emergentes.
Na máxima do dia, a moeda superou R$ 5,22, mas aliviou após informações de acenos do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã. O dólar acumula alta de 0,90% em setembro, após subir 2,16% em agosto.
Operadores afirmam que a formação da taxa de câmbio está mais ligada ao ambiente externo do que ao quadro eleitoral doméstico. O economista Fabrizio Velloni disse que a expectativa de mais aumentos de juros pelo Fed levou ao fortalecimento do dólar, com preocupações com inflação ligadas a petróleo, migração e tarifas.
O real apresentou perdas inferiores às de outras divisas latino-americanas. Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empatados com 42% das intenções de voto em eventual segundo turno.
Velloni avaliou que medidas recentes do governo, como o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets, apontam para piora das contas públicas, mas não se refletem em aumento do prêmio de risco pela perspectiva de alternância de poder. Para o estrategista Mark McCormick, da BMO Capital Markets, uma vitória de Flávio pode não ser positiva para a moeda além de um rali inicial.
O Ibovespa caiu 0,26%, a 182.991,13 pontos, com giro financeiro de R$ 18 bilhões. O índice acumula alta de 3,14% no mês e de 13,57% no ano. O petróleo Brent para dezembro fechou em alta de 0,4%, a US$ 97,83 o barril.
Na curva de juros futuros, o DI para janeiro de 2027 subiu a 13,565%, e o para janeiro de 2031 avançou a 14,05%. A T-note de dez anos anotava alta a 5,233%, e o T-bond de 30 anos, a 5,550%, máximas em cerca de 20 anos.

